Blog com o intuito de despertar a curiosidade, o questionamento e o senso crítico de quem tiver paciência para lê-lo.

Vim pra sabotar seu raciocínio.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O lucro está sempre acima do impacto.

Não é de hoje que vemos grandes empresas com pesadas campanhas publicitárias enaltecendo o "orgulho" de ser brasileira, o trabalho duro e os investimentos, sempre pensando na população. E você ainda engole?

As grandes corporações há muito transcenderam as fronteiras nacionais por meio de políticas predatórias atrás do trabalho duro de cidadãos de países tidos como "em desenvolvimento" pelos grandes capitalistas. Desta forma, a exploração cresceu em escala vertiginosa, passando da captação de recursos naturais e de matérias-primas para a exploração do próprio trabalhador, literalmente comandando a vidas dos mesmos.
Pode-se confirmar o que foi dito acima através de um evento que ocorreu recentemente na cidade do Rio de Janeiro. Tal evento foi denominado Encontro dos Atingidos Pela Vale, que consistiu exatamente no que o nome sugere.
A Vale do Rio Doce, até o governo FHC, foi uma mineradora estatal de grande importância estratégica e econômica para o Brasil. Até o governo FHC, pois neste ela foi privatizada de maneira mais do que suspeita (e este será o assunto do próximo post).
Assim, a Vale não perdeu sua importância, mas desvirtuou-se. Antes servia ao Estado brasileiro, e eu não estou falando aqui que nessa época as políticas de desta empresa eram impecáveis, de jeito algum, e agora serve única e exclusivamente ao grande capital e seus acionistas.
Pois bem, a Vale é uma mineradora. Mas até que ponto se tem o direito de expropriar famílias, transpor rios, construir barragens e detonar montanhas em nome do grande capital? Esse foi o tema de discussão do Encontro de Atingidos Pela Vale. Veja bem, a palavra "atingidos" expõe claramente os impactos das ações desta empresa para com o meio-ambiente, e acima de tudo, para com os cidadãos.
Tal encontro contou com mais de oitenta organizações, movimentos sindicais e sociais das mais diversas áreas do globo. Do interior de Minas Gerais à Taiwan. Todos sofrendo diretamente com o impacto dos interesses dos magnatas.
O fruto desse Encontro foi a publicação de uma Carta Internacional dos Atingidos Pela Vale. Porém, não cabe a mim discutir o Encontro, nem a carta, umas vez que concordo totalmente com a manifestação destes Cidadãos (com 'C' maiúsculo), então deixo o link para que você tire suas próprias conclusões: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/carta-internacional-dos-atingidos-pela-vale/view
Desta forma, mais uma máscara cai para o grande público.
A Vale, como inúmeras outras empresas, bem como a Nestlé, que recentemente foi denunciada pela captação predatória de recursos naturais, por exemplo, investem pesado em propaganda e nutrem um sentimento inexistente de orgulho para que você não perceba o que é feito longe das grandes cidades, onde o filho chora e a mãe não vê. Por fim, ainda têm a capacidade de organizar projetos sociais ineficazes, como a inclusão digital para uma população que mal sabe escrever. Convenhamos, não?
Assim, mais uma vez reitero minha indignação contra esse sistema baseado no sofrimento alheio e na acumulação de capital, pois afinal, são ecossistemas e, acima de tudo, pessoas sendo massacradas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Em nome do poder, da fama e da grana. Amém.

O tema do qual tratarei hoje é a distorção da religiosidade em nome do dinheiro e do poder. Só enfatizando aqui que não cabe a mim discutir aqui a existência ou não de Deus, pois pra mim quem debate tal assunto realmente não tem mais o que fazer.



Há tempos que Deus se tornou mais um produto dentro dessa megastore que  eu chamo de sistema. São CDs, livros, camisetas, pulseiras, correntinhas, abajures, copos, velas... Mas isso é o de menos.
Desde o início da organização social, ou mesmo até antes disso, o ser humano carrega esse ideal de que há algo acima de tudo e todos, uma força celestial que influencia e comanda, que cria e destrói. E através dos tempos, doutrinas e mandamentos foram elaborados, rituais foram executados, palavras proferidas e milagres foram atribuídos. Mas também muita gente chorou, muita gente sofreu e muita gente morreu.
Dizem por aí que todos precisamos de uma religião, algo em que acreditar. Pois bem, além do amor, a espiritualidade alimenta a alma, nutre a consciência. Mas também cega e cria barreiras.
É claro que você sabe que a Igreja Católica queimou livros e pessoas, que o Islã explodiu muita coisa, que o Sionismo invadiu a Palestina, que os Puritanos moldaram o sistema exploratório em que vivemos hoje e que os Evangélicos julgam os que não seguem sua doutrina como imbecis infiéis. Mas você sabe em nome de quê eles fizeram tudo isso? Não foi em nome de Deus, evidentemente. Nenhum sumo-sacerdote das religiões acima realmente acredita em tudo que profere aos seus seguidores. E se acredita, o faz irracionalmente, porque já foi convencido por outrem. O objetivo dessas desgraças é único: o poder.
E veja bem, é realmente o jeito mais fácil de manipular as pobres almas. Estes desamparados, em sua maioria financeiramente necessitados e psicologicamente abalados, são bombardeados pelas promessas maravilhosas desses deuses onipotentes que os vigiam até nos pensamentos. Já me disseram uma vez que a maneira mais fácil de se convencer alguém é através do medo.
Pois bem, explica-se o que o ignorante (que é assim porque não teve acesso à verdade)não entende através dessa chamada "fé", coloca meia-dúzia de bacanas em cima do palco pra contar a mesma história de que foi ajudado através do caminho que essa instutuição propõe e agora tem saúde, tem dinheiro, tem uma vida plena. Pronto! O dinheiro mais uma vez fala mais alto, a ganância inocente por uma vida melhor toma conta da cabeça do desorientado e ele se torna mais um "fiel".
É triste ver um cretino barrigudo de terno de linho aparecer na televisão pedindo sua doação pelo bem maior. É triste ver um sacerdote lançar um CD. É triste ver MUITA gente votando no ilustre orador de tal igreja. É triste ver o Cid Moreira narrando a Bíblia. PELO AMOR DE DEUS!
E a maioria apalude, compra, reza, "doa" o salário, e acha que assim o Deus-que-tudo-vê vai salvá-lo; mas não pelo que ele é, mas sim pelo que ele faz dentro do que lhe é mandado.
Caminhamos hoje para uma teocracia, uma ditadura divina. Os partidos com ligações religiosas ganham cada vez mais espaço, a mídia já foi domindada pela "fé" e o âmago daqueles que sofrem estão tendendo à rendição, uma vez que não há escolas no meio do mato e não há hospitais nas favelas, mas há duas igrejas em cada um desses lugares.
O poder dessas instituições transcendeu as fronteiras nacionais, ultrapassou os limites do tempo e nos leva a mais manipulação e sofrimento, pois já dizia Lênin que "A religião é o ópio do povo".

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ah, sim: culpem São Pedro e os que moram ao pé do morro.

Boa noite!

Hoje abordaremos o total descaso das autoridades (in)competentes perante situações de calamidade pública.

Você viu no começo do ano a desgraça em Angra dos Reis, RJ. Jovens afortunados e saudáveis passando suas férias em um maravilhoso resort sofreram com as forças da Mãe Natureza. Foram soterrados. Morreram. E o país se comoveu.
Agora, o que você me diz da temporada de chuvas em São Paulo, que começa em novembro e só ameniza em março? Vai me dizer que você não vê?
Todo ano é exatamente a mesma coisa: a falta de políticas públicas para lidar com um fenômeno que é cíclico, ou seja, não é novidade para nenhum cidadão, quanto mais para especialistas no assunto.
Mas os governantes sempre subvertem a situação, com ajuda da mídia, é claro.
A culpa agora é dos pobres-coitados que, devido à exclusão proporcionada pelo sistema, acaba sem moradia digna, ao pé de um morro, em seu barraco de madeirite, sem acesso ao sistema de saneamento básico (e reclamam quando jogam o lixo no córrego que corta sua comunidade), sem luz elétrica (e os culpam quando fazem os "gatos"), sem educação (e reclamam quando estes acabam por se marginalizarem).
Através dessas ações, que podem parecer absurdas, essas pessoas excluídas desejam simplesmente adequar-se ao sistema! Eis aí a contradição: o sistema exclui, e o excluído fere a moral do sistema para fazer parte do mesmo. É um círculo vicioso.
E tais deslizamentos de terra são uma desgraça anunciada! Pois todos sabemos o que acontece na temporada das chuvas, e como eu disse, é um fenômeno CÍCLICO. Famílias inteiras perdem o pouco que têm, crianças ficam sem aula, o comércio e a sociedade como um todo perdem. E acima de tudo: pessoas estão morrendo!
Até quando culparão as gestões anteriores? Até quando culparão quando as chuvas serão "acima do esperado"? Até quando culparão a população carente que se instalou onde os magnatas não quiseram construir?
Até quando persistirá a falta de políticas públicas que, de uma vez por todas, visem a população, e não o bolso dos canalhas?
Até quando? Até que você não permita mais.

Seguidores